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Mindful sex: estar presente na hora do prazer é muito mais gostoso

Especialista explica os benefícios do “sexo consciente” e nós reforçamos que tudo muda quando estamos entregues ao momento 

 


Por Julia Carneiro


“Que horas são? Preciso acordar cedo amanhã... Será que ele ou ela já está perto de gozar? Programei o despertador? Se eu começar a suar, vou ter que lavar o cabelo, que preguiça. Paguei a terapia? Não lembro agora.” “Tá gostoso assim?”. “Tá, tá ótimo, que delícia – Nossa, deixa eu focar aqui”. Nem sempre a nossa mente está com a gente na hora do sexo. Acontece. O destino para onde a cabeça de cada um viaja é particular, mas o caminho é basicamente o mesmo.

Como viemos parar aqui? A psicóloga e sexóloga Eduarda Nicolodi atribui a mente avoada no sexo ao estilo de vida que insistimos em “dar conta” ultimamente. “O tal do lifestyle ‘trabalhe enquanto eles dormem’ resultou em uma geração de ansiosos correndo atrás da saúde mental, lutando com esses valores atuais que os afastam de um corpo com prazer.” A ironia é que até os momentos prazerosos viraram mais um tópico na “to do list”, uma obrigação. “Chato, né? Claro, vamos ao sexo com a sensação de ‘algo que precisa ser feito’”, comenta a psicóloga. E a verdade é que não é sobre isso.

Nadando contra corrente da transa automática, o mindful sex (“sexo consciente”, em tradução livre) é a prática para quem busca sentir o prazer de fato, não apenas riscá-lo da lista de afazeres. “Estar mindful em uma cena é estar presente. De corpo inteiro, percebendo as sensações, notando o respirar, o desejo, a pele e suas ânsias por calor, carinho, ou até mesmo afastamento. Imagine isso no sexo: ter o poder de estar ali, presenciando cada beijo, cada gota, cada roçar...”, descreve Eduarda. 

Saber reconhecer e realmente sentir os sinais do seu corpo vão levar a um orgasmo muito mais poderoso e inebriante. Para além do físico, a experiência do prazer à flor da pele – e da mente – é um potente ansiolítico contra os estresses do cotidiano. “Você pode esperar mais calma e paz para aprender a ‘ser’ durante a vida corrida que tem”, pontua a psicóloga.

Aprender a estar mindful apenas com si próprio é o primeiro passo para quem busca conexões via mindful sex. É preciso treinar a mente para estar no presente e elevar seu estado de consciência sensorial – uma vez que, diante de todos os estímulos da nossa rotina atual, acabamos por perder essa capacidade. Mas não se esqueça que só vale se for leve e prazeroso. Vá no seu tempo, sem forçar a barra. 

Dicas da especialista
Comece no banho. Deixe a iluminação suave, coloque uma música gostosa, acenda uma vela e perceba os cheiros, a pele com o toque da água, da espuma. Que experiência!

Então, convide o parceiro ou parceira para uma massagem relaxante e esqueça os genitais por um momento. Descubra pernas, braços, pescoço e odores. Perceba tudo mais uma vez, deixe seu corpo conhecer e criar memórias. Se presentifique ali.

Na hora de transar, repare como tudo carrega um potencial de ser sensual. O cabelo roçando, a mão descobrindo as curvas, a língua sentindo cada gosto, a respiração ofegante, as costas arfando e o eriçar dos pelos... A beleza dos corpos se entregando a esse momento de puro perceber e permitir. O segredo está aí: se dar autorização para deixar a postura seca e dura do cotidiano, abrir mão do controle e se permitir sentir o que vier.

A psicóloga diz que não será algo natural por um tempo – e tudo bem. “Sua mente não tem esse lugar inteiro de ‘permissão’, mas não desista! Logo você se acostuma a estar no aqui e agora vivenciando os êxtases do sexo.”

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