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Medo de falar sobre seus fetiches? Entenda o universo das fantasias sexuais

Menáge, dominação, submissão e muitos outros desejos são mais comuns do que parecem e podem ser muito mais gostosos de realizar se houver diálogo e segurança entre os parceiros

Por Amanda Grecco

Quem se lembra dos corpos inquietos no cinema escorregando nas cadeiras enquanto a picante cena de “Azul é a Cor Mais Quente” rolava com aquele ar de não ter hora para acabar? Ou a quantidade de capas de “50 Tons de Cinza” que protagonizavam nos metrôs lotados e faziam com que os curiosos que – sem coragem de entrar no clube do livro proibido – espiassem as páginas alheias e se derretessem nas palavras pescadas?

A arte de falar de sexo é para poucos, mas a parte mais estranha dessa história é que praticamente to-do-mun-do-faz e esconde seus delírios mais excitantes por baixo das roupas engomadas de segunda à sexta. 

A psicóloga Beatriz Portella, com especialização em psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae-SP, explica que “fetiche” significa adoração e pode envolver o desvio dos objetos de satisfação sexual. Nesses casos, em vez de se deliciar em sonhos eróticos pensando em vaginas ou pênis, o desejo pode viajar para o pé, cabelo, ou outras coisas, e não há nada de errado com isso desde que esse fetiche não gere aprisionamento e servidão para quem o sente.

“O fetiche está aí para todos nós. É importante diferenciar o que é patológico e pode aprisionar o prazer por não conseguir desfrutar de outras situações, e o que é fluidez da experiência sexual, que consiste em encontrar prazer em cenas, áreas ou objetos e transformar a experiência em algo bom para si, para a dupla, trio, ou quem estiver participando”, explica Beatriz.

Uma coisa você pode ter certeza: seu desejo não é motivo de vergonha. Tem bastante gente que vai se deliciaaaar com aquelas fantasias que sempre escondeu com medo do estranhamento do outro. Se o seu receio é compartilhar as fantasias com seu parceiro, Mayumi Satto, empresária e especialista em mercado adulto, influencer e podcaster do “Vida Não Mono”, explica que ter sutileza é ideal para introduzir o tema. “Mencionar que sonhou com algo, assistir um filme juntos que apareça o fetiche e comentar que tem curiosidade pode ser um bom jeito para começar a tocar no assunto”.

Ela conta que conheceu um casal que tinha uma relação de anos, estável, beirando algo quase 'morno', até que um dia a esposa descobriu que o marido acessava sites de livecam e assistia mulheres que se exibiam nuas. Ela ficou brava e disse ao marido “se você pode, eu posso também. Hoje à noite eu vou me exibir aqui para quem quiser assistir”. E foi a partir daí que se descobriu uma exibicionista e, hoje em dia, eles curtem isso juntos, ele assistindo (ela e outras mulheres) e ela se exibindo por prazer para desconhecidos.

Sabendo que os fetiches pairam sobre todos nós diariamente, dá uma vontade louca de saber o que o vizinho que você esbarrou no elevador está pensando ou o que excita o crush que ainda não tem intimidade contigo, não é? Para tentar dar conta de um pouquinho dessas respostas, perguntamos para  Mayumi quais os fetiches mais procurados e a lista ficou assim:

  • Ménage à trois: relacionamento sexual entre três pessoas, independente do gênero delas.
  • Cuckold: pessoa que sente prazer em ver seu parceiro tendo relações com outra pessoa.
  • Exibicionismo: quem gosta de expor publicamente partes íntimas do corpo. Pode ser praticado online ou pessoalmente.
  • Podolatria: desejo por interagir com pés a partir de fricção, inserção em algum orifício, ou mesmo a masturbação com os pés.
  • BDSM: A sigla significa Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo, e pode envolver diversas situações de dor, cócegas e tortura.

Parece uma delícia poder se jogar nessas brincadeiras para descobrir novos horizontes, hmmmm! Mas nem sempre o que mora no plano do desejo é tão bom assim quando vira realidade. Mayumi conta que já ouviu diversas histórias de pessoas que realizaram fetiches e não sentiram aquele tesão que gritava ao ver um vídeo ou simplesmente imaginar como poderia ser.

A dica da especialista é se jogar na fantasia e ter sempre uma palavra de segurança para que a pessoa com quem está interagindo saiba que algo não está legal – e não tem nada de errado em pedir para parar. “Desejamos, sonhamos e fantasiamos, sabendo que algumas dessas narrativas simplesmente não funcionariam na realidade, e tudo bem. Entender que parte do que você deseja pode ser fruto apenas da sua imaginação ajuda a baixar expectativas e pode dar ainda mais liberdade ao desejo”.

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