Lubs Talk #2: Laís Melo
A convidada de hoje é a Laís Melo.
Vem conhecer mais sobre o trabalho impecável dessa mulher e leia a entrevista na íntegra aqui:
Apresentação: Quem é você, o que faz e qual o seu propósito hoje?
Sou Laís Melo, Head de Membership da Soho House São Paulo. Meu propósito é construir uma comunidade relevante, diversa e genuinamente conectada, reunindo pessoas que não apenas pertencem, mas que contribuem ativamente para a cultura, as relações e as experiências dentro da casa.
A Gênese: De onde surgiu a ideia de fazer o que você faz?
Minha conexão com isso começou há 11 anos, quando eu morava em Londres e conheci a Soho House. O conceito me marcou muito, a ideia de comunidade, curadoria e conexão real entre pessoas. Aquilo ficou comigo ao longo dos anos e acabou guiando minha trajetória. Hoje, estar à frente de membership é uma extensão natural dessa visão: construir comunidades relevantes e cheias de significado.
Processo Criativo: Quais são seus rituais e fontes de inspiração? Qual o maior desafio que você enfrenta no seu trabalho e por quê?
O maior desafio do meu trabalho é equilibrar crescimento com qualidade. Membership não é sobre volume, é sobre curadoria. E isso exige tomar decisões difíceis todos os dias: quem entra, quem ainda não é o momento, como manter a essência da comunidade mesmo com a demanda crescente. Além disso, existe um desafio constante de alinhar expectativa e experiência. Cada membro chega com uma expectativa muito alta, e garantir que essa experiência seja consistente, relevante e personalizada é algo que exige atenção contínua. No fim, é um trabalho muito estratégico, mas também muito humano, e esse equilíbrio é o que torna tudo mais desafiador e, ao mesmo tempo, mais interessante.
Relações Humanas: Como você as enxerga hoje? Você tem uma visão pessimista ou otimista sobre a forma como estamos nos conectando?
Eu enxergo as relações humanas hoje em um momento de transição. Nunca foi tão fácil se conectar, mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão desafiador criar conexões realmente profundas. A tecnologia encurtou distâncias, mas também trouxe uma certa superficialidade nas interações, existe presença digital, mas nem sempre presença real. Ainda assim, eu tenho uma visão otimista. Eu percebo um movimento muito claro de reconexão com o que é autêntico. As pessoas estão mais conscientes sobre com quem querem estar, sobre o valor do tempo e sobre a importância de relações que tragam troca, pertencimento e significado. Existe quase um “filtro natural” acontecendo, menos quantidade, mais qualidade. E é exatamente nesse espaço que comunidades bem construídas ganham força. Quando você cria ambientes com intenção, curadoria e valores claros, você facilita conexões que vão além do networking - conexões que geram impacto real na vida das pessoas. Então, mais do que uma crise de conexão, eu vejo uma evolução na forma como nos relacionamos. E isso, pra mim, é muito positivo.
Valores: O que é inegociável para você nas pessoas que estão à sua volta?
O primeiro é respeito, em todas as formas. A maneira como alguém trata as pessoas, especialmente em ambientes de serviço e convivência, revela muito sobre o caráter. Outro ponto essencial é integridade, que vem muito acompanhada de transparência. Eu valorizo pessoas que são claras nas intenções, que se posicionam com honestidade e que conseguem ter conversas diretas e verdadeiras. Comunicação clara, inclusive, é algo que considero fundamental. Muitas situações e conflitos podem ser evitados quando existe abertura, maturidade e responsabilidade na forma de se comunicar. No fundo, o que é inegociável para mim são pessoas que trazem clareza, respeito e consciência sobre o impacto que têm nos outros e no ambiente ao redor.
Tempo: O que a sua versão de hoje diria para a sua versão de 10 anos atrás?
Eu diria para confiar mais no próprio timing e não ter tanta pressa. Há 10 anos, eu já sentia muito forte o que me movia, essa vontade de estar perto de pessoas interessantes, de construir conexões, de viver experiências com significado — mas nem tudo fazia sentido de forma imediata. Hoje eu vejo que tudo estava, na verdade, se construindo. Eu também diria para confiar mais na própria intuição. Muitas das decisões mais importantes da minha vida vieram de um lugar muito intuitivo e elas estavam certas, mesmo quando não eram as mais óbvias. E talvez o mais importante: eu diria para não ter medo de ocupar espaços. De se posicionar, de se expor, de assumir responsabilidades grandes. Porque é justamente nesses momentos que a gente cresce e se aproxima do que realmente é. No fim, eu diria: calma, você está exatamente onde deveria estar e tudo isso vai fazer muito sentido lá na frente.
Essência: O que é prazer para você?
Prazer, para mim, está muito mais ligado à presença do que ao excesso. É sobre estar inteira nos momentos. Eu encontro prazer nas experiências que têm intenção.
Conheça mais do trabalho da Laís em https://www.sohohouse.com/pt/houses/soho-house-sao-paulo
Com carinho,
Equipe Lubs.
